sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

O que que a Suécia tem ?

A minha paixão pelo cinema não se limita a origem geográfica e isso contribui muito para que eu tenha o mínimo possível de preconceitos na hora de dedicar meu precioso tempo diante de um filme (se bem que eu acabo vendo de tudo...). Por isso que – diferente da maioria da “categoria” - não sou um crítico ferrenho do rolo compressor que o cinema americano é, em penetração mundial. Assim também como adoro embreiar-me pela cinematografia, muitas vezes desconhecida, dos diversos países do globo. Foi assim que descobri o painel de contenções humanas do cinema iraniano, a urgência do cinema coreano etc, etc... Tudo isso para dizer que assisti o insensado filme sueco “Deixe ela entrar”, de Tomas Alfredson, reafirmando o prazer que é mergulhar na pluralidade regional da sétima arte. E se o novo cinema sueco for do nível deste, creio estar perdendo muito coisa boa.
“Deixe ela entrar” conta a história de Oskar, um menino de 12 anos, ansioso e frágil, constantemente provocado pelos colegas de classe. Com a chegada de Eli, que ele descobre depois ser uma vampira, sua vida sofre uma reviravolta um tanto precoce. Essa é uma síntese bem superficial desta história que, na verdade, procura relativizar os extremos da humanidade e da perversidade confrontando os antigos arquétipos do gênero “vampírico”. Aliás, para àqueles que se entusiasmaram com o fenômeno “Crepúsculo” e suas desinências, sugiro que assista a esse filme com muita atenção para ver o quanto substancial um tema como este pode ser quando levado à sério.
Contando com uma fotografia arrebatadora (quase uma personagem do longa), o trabalho de direção do filme procura o tempo inteiro instigar a ambiguidade dos seres e coisas para criar uma assimilação conflituosa com os arquétipos da trama. Seja pela dor no olhar da menina vampira quando ataca uma vítima, seja pelo sorrivo sutil do menino ao vingar-se de um opressor, seja pelo uso estético da neve em cenas-chave na história.
De forma geral, o filme fala sobre inocência, ou a perda ou ganho dela. E o mais interessante é que o diretor Alfredson faz uma abordagem mesclando o naturalismo etéreo com o lirismo fantasioso, num equilíbrio fundamental para o êxito final de seu filme. Prestem atenção numa das últimas cenas, que acontece numa piscina olímpica, que é uma obra-prima de tão genial.




Dica de Música: “Sinkin' Soon” (Norah Jones)

Um comentário:

Thamy Lobo disse...

Apaixonante. No filme vemos claramente a perca da inocência dele e a chegada de um pouco de ternura na vida dela.